Estilhaços
de lettres comme d'un reliquaire
de la cendre des nombres, de
ce corps de mots
qui se transfigure
des choses
de la sagesse étoilée
comme de la mort, ressuscite
ressuscite maintenant
Mot incirconscriptible
Daniel Turcea (trad. Anca Vasiliu)
Para mim a poesia não fica completa neste tipo de formato. Faltam-lhe os outros sentidos, o paladar do papel, tocado ao de leve pela boca dos dedos.
Mas hoje é excepcional, derrubei uma certa reserva e deu-me para ousar o discurso ensimesmado. Discurso estranho pela partilha quase tão directa, quase impudica.
Tudo porque arrumava a minha secretária e deparei-me com um bloco de papel de carta e um macinho de sobrescritos novos. Não escrevo (não manuscrevo) a ninguém desde Dezembro. Os amigos regressaram, os que não regressaram já não têm morada e recebemos de volta a nossa própria carta, com a indicação “
já não mora aqui essa pessoa”.
São assim os nós na garganta que não podemos desapertar à noite.
MBP